sábado, 28 de janeiro de 2012

Brasileiros voam mais, mas para menos cidades

Companhias aéreas transportaram passageiros para 132 cidades em 2011, um destino a menos que em 2010, segundo a Anac


Os brasileiros voaram mais em 2011, mas para menos cidades. Em um ano em que a demanda por voos domésticos cresceu 15,72%, o número de destinos atendidos pelas companhias aéreas regulares caiu. Durante todo o ano, os passageiros brasileiros desembarcaram em 132 cidades, uma a menos do que em 2010, segundo levantamento da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) feito a pedido do ‘Estado’.

Apesar de a variação ser de apenas um destino entre um ano e outro, ela acentua um processo de concentração dos voos nas cidades maiores que vem ocorrendo há anos no Brasil. Em 2000, por exemplo, as empresas brasileiras voaram para 189 cidades, segundo dados do anuário do transporte aéreo da Anac.

O recorde do setor em número de destinos foi alcançado em 1957, quando as empresas atenderam 357 cidades, lembra o diretor de comunicação, marca e produto da Azul, Gianfranco Beting, que coleciona dados sobre o setor aéreo. Naquela época, o avião mais utilizado para voar no Brasil era o DC-3, capaz de pousar em pistas precárias. Só a Real Aerovias, uma empresa que foi comprada pela Varig nos anos 60, tinha mais de 100 aviões.

"Com a substituição das aeronaves e regras mais rígidas de operação nos aeroportos, não dá mais para operar em todas as cidades que recebiam voos antigamente", explica Beting.

Sem investimento em infraestrutura aeroportuária, a redução do número de cidades atendidas por voos comerciais no Brasil foi inevitável. No interior, a maioria dos aeroportos é administrado pelas prefeituras e não atende os requisitos exigidos pela Anac para receber voos regulares. Eles precisam, por exemplo, ter equipamentos de raio-X e equipe de bombeiros de plantão no local.

"As empresas vão voar em todas as cidades onde houver infraestrutura disponível. Hoje, elas voam para onde dá", disse o diretor administrativo da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Aéreo Regional (Abetar), Victor Celestino.

A Abetar estima que existe demanda para voos regionais em 175 cidades brasileiras. Para solucionar os problemas desses aeroportos, seria necessário um investimento de R$ 2,4 bilhões.

A Secretaria de Aviação Civil está finalizando um programa novo de investimento em aeroportos regionais, que será anunciado até março. Um dos pilares é o repasse da receita das concessões dos aeroportos maiores para os menores por meio do Fundo Nacional de Aviação Civil.

Menos empresas. O problema de infraestrutura prejudica principalmente as empresas menores. "Quanto menor o avião, maior o custo por assento e maior a dificuldade em oferecer uma tarifa viável para o passageiro. É por isso que muitas empresa regionais ficam inoperantes no Brasil", disse Celestino.

Só em 2011, quatro delas pararam de voar - Sol, Noar, Meta e Puma Air. No ano anterior, outras três suspenderam a operação - Air Minas, Cruiser e Rico - e não voltaram a ter voos regulares até hoje. Com isso, o Brasil inicia 2012 com 12 empresas aéreas operantes.

O dono da Sol Linhas Aéreas, Marcos Solano, disse que parou de voar porque teve problemas nos aeroportos das três cidades que operava até outubro, quando suspendeu seus voos. O aeroporto de Cascavel (PR), onde fica a base operacional da empresa, foi fechado para reformas. De lá, ele voava para Toledo e Umuarama, ambas no interior do Paraná, com um avião da fabricante tcheca LET, com 19 assentos. "As Prefeituras não estão nem aí para os aeroportos regionais e o governo federal só quer saber dos aeroportos grandes", disse.

Questionada pelo Estado, a Anac diz que suspendeu os voos da empresa por irregularidades na documentação da aeronave e do piloto. "A Anac trata uma empresa com uma aeronave igual ela trata a TAM. É inviável", disse Solano. Segundo ele, a empresa volta a operar em abril.

A Noar e a Meta, que também tiveram seus voos suspensos pela Anac por problemas na aeronave, disseram por meio de sua assessoria de imprensa que pretendem voltar a operar. Nenhum porta-voz da Puma não foi localizado pela reportagem.




Fonte: Estadão

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