domingo, 22 de janeiro de 2012

Trânsito em Maceió fica fora de controle

Buzinadas, palavrões e até ameaças marcam rotina de pedestres e condutores de veículos


Enquanto os homens exercem seus podres poderes, motos e fuscas avançam os sinais vermelhos e perdem os verdes”. Enquanto a música de Caetano toca no som da Pajero com apenas um ocupante, passageiros se imprensam em pé no Benedito-Iguatemi terminal Frei Damião. Enquanto o motorista do ônibus dá um trancão no carroceiro, um caminhão para em área proibida e um motoboy xinga o taxista que muda de faixa sem dar sinal, em alta velocidade.

Buzinadas, palavrões e ameaças fazem a rotina do trânsito maceioense. É o caos. Da Avenida Fernandes Lima à principal do Jacintinho, do Centro à Ponta Verde, sempre tem alguma barbeiragem pelas ruas mal projetadas e com pouca fiscalização. Para checar a quantas anda o nosso trânsito, a Gazeta resolveu dar uma volta em alguns pontos nevrálgicos da cidade. Bastaram cerca de quatro horas para identificar “quilômetros” de irregularidades, “esquinas” de intolerância e “desvios” de inoperância dos homens com poderes para fazer alguma coisa.

O “engavetamento” de flagrantes contra as leis de trânsito começou a ser registrado pelo Centro. As placas de proibido parar e estacionar não servem de nada, diante de dezenas de carros postados na Rua Barão de Maceió, quase em frente à Santa Casa.

Solução passa pelo transporte de massa

A engenheira de tráfego Rosineide Honorato atribui o caos à inoperância ou ausência de fiscalização, planejamento ineficaz, aumento da frota e falta de investimento no transporte coletivo de massa. É uma equação simples de enxergar, mas difícil de resolver. “Enquanto o número de veículos e condutores aumenta, de uma forma muito rápida, o nosso sistema viário não cresce na mesma proporção”.

Mas não é só isso. Depende de planejamento, regulamentação e políticas públicas. Por exemplo: “Em outros países, você só pode adquirir um carro se comprovar que tem um local para guardá-lo”, cita a engenheira. Há toda uma filosofia de consumo, com financiamentos que facilitam a aquisição de um carro, quadriciclo ou uma cinquentinha. Além do excesso de carros e motos, o tamanho dos veículos não para de crescer. “Antes, você tinha fuscas; hoje, são carrões de padrão americano, as SUVs, picapes, sedans”.

A engenheira critica a falta de fiscalização, tanto do município como do Estado. “Se sabemos que o aumento dos acidentes se deve à velocidade, é preciso localizar os corredores onde há mais velocidade e reduzi-la. A fiscalização humana é importante, mas é crucial implantar equipamentos eletrônicos”, sugere.

Desorganização eleva número de acidentes

O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Écio Marques, é mais direto nas críticas. “Atribuo o caos no trânsito à desorganização e falta de compromisso da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito [SMTT]. Falta vontade de querer trabalhar, parece que não tem um engenheiro de trânsito em Maceió. Aí, ficam iludindo a população com a licitação dos ônibus, mas não é a licitação que vai resolver, ela só vai regularizar o serviço para os empresários de transporte”.

Para o sindicalista, o município deveria, pelo menos, criar um corredor de transporte exclusivo nas avenidas Fernandes Lima e Durval de Góes Monteiro. “Já ia minimizar o sofrimento dos usuários e de toda a sociedade”.

Écio também aponta a falta de critérios para a permissão de um número excessivo de praças de táxis. “Em Atalaia, tem 200 táxis; em Coqueiro Seco ,tem 100 táxis. Eles estão rodando onde? Não há fiscalização para o transporte clandestino, é uma desmoralização muito grande e só aumenta o número de carros na cidade”. 




Fonte: Gazeta de Alagoas

Nenhum comentário:

Postar um comentário