segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Com as cores do Bahia, Joel chega ao Flamengo: 'Toda vez aqui deu certo'

De azul, vermelho e branco, Joel se encaminha para coletiva 
Técnico, que assinou contrato até o fim do ano, garante que não terá problemas no trato com Ronaldinho: 'Somos pessoas maduras, experientes'


O técnico Joel Santana viveu nesta segunda-feira o primeiro dia de sua quinta passagem pelo Flamengo. O treinador chegou ao Ninho do Urubu às 15h30m e não foi a campo. Ele limitou-se a ter uma conversa reservada com os jogadores. Depois, vestindo uma camisa polo azul, vermelha e branca, cores do Bahia, seu ex-clube, Joel adentrou a sala de imprensa lotada para conceder uma entrevista coletiva.

- É a quinta vez que venho para essa casa, casa essa que toda vez que estive aqui deu certo. Espero que seja assim desta vez. Eu me lembro que a última vez que trabalhei aqui a torcida me levou ao Corvovado. Fez uma coisa que nunca tive na vida, que era uma bandeira com o meu rosto. Isso tudo vai mexendo com o treinador. Se soubesse que ia acontecer o que aconteceu não teria saído. Mas estou voltando - disse Joel, referindo-se ao fato de ter aceito o convite para dirigir a seleção da África do Sul, em 2008, e de ter sido demitido antes da disputa da Copa de 2010.

Uma das primeiras indagações feitas a Joel foi sobre o relacionamento com Ronaldinho Gaúcho. Foi por bater de frente com o craque que Vanderlei Luxemburgo teve sua saída decretada. O atual treinador adotou tom conciliador.

- Não vai ter nenhum tipo de problema. Nunca teve e não teremos agora. Somos pessoas maduras, experientes, com objetivos traçados. Ronaldo não chegou por acaso onde chegou. Chegou porque é talentoso. Não sei se existe fórmula (para lidar com estrelas). Sei que nós nunca tivemos problemas de lidar com ídolos da torcida, do time. É o jogador que faz a diferença. Nós vamos nos ajudar. Eu não jogo, ele que joga e vai resolver os nossos problemas. Papo foi normal, natural, comecei com todo mundo lá dentro. Fomos apresentados hoje (segunda) e amanhã (terça) começa o trabalho realmente - acrescentou Joel.

Contido e cauteloso no ínicio da entrevista, o treinador foi aos poucos se soltando e fazendo habituais brincadeiras com os jornalistas ao dar suas respostas. As frases curiosas também se fizeram presentes. Ao comentar o primeiro contato com os jogadores, Joel disse ter falado pouco e voltou a fazer uso, à sua maneira, de tom conciliador.

- Tivemos um papo romântico. Uma conversa normal sobre o que gosto de fazer. No dia a dia a gente não fica falando muita coisa. Quando começa a se entender, até no olhar já sabe o que está acontecendo. A mesma coisa é o jogador. Quando você tem um grupo, não precisa falar muito. Ninguém vai dar chicotada em ninguém. Temos de tomar decisões. Carregamos uma torcida enorme. Nós somos manchete. Eu também.

Confira outros trechos da entrevista.

Quinta passagem

- Cada um coloca de uma maneira, vê de um jeito. Trabalhar uma vez é uma honra. Trabalhar cinco vezes me deixa numa situação agradecida. É esse o carinho que a torcida sempre teve comigo. O que a torcida quer, eu quero. Vencer jogos, ganhar títulos. Esse é meu trabalho aqui. Nada mais do que isso.

Atitude ao chegar

- Providência é ganhar jogos. Dois jogos pelo Carioca, quinta e domingo, já temos Libertadores na outra semana. Primeiro temos de sair dessa situação desagradável de terceiro lugar. Depois começar a Libertadores, jogo fora de casa, time argentino. Vamos devagar, com muita calma nessa hora.

Estilo

- Vamos manter nossa forma de trabalhar, sou meio à moda antiga em algumas coisas. Vamos ver se conseguimos sucesso, torcida vai nos acompanhar, definir os nossos caminhos. Se Deus quiser vai dar tudo certo.

Retomada na Libertadores

- Não sei, vamos ver o final do filme. Flamengo é assim, acontece com uma grande rapidez. Estou mais uma vez aqui, acima de tudo com respeito ao torcedor, nosso maior patrimônio, e carregando a responsabilidade. Uma torcida que cobra, vibra, apaixonada. Vou fazer parte mais uma vez dessa história.

Vantagem de conhecer boa parte do grupo

- Ajuda sabendo a minha maneira de trabalho. Soldado no quartel já conhece, sabe das coisas que gosto, jogadores que foram campeões comigo, respeito bastante. E com certeza vão ajudar. Os jogadores perguntam. Não estou aqui para inventar. Faço parte de um grupo, de uma equipe desse porte e mais uma vez tenho a oportunidade de desenvolver meu trabalho. Me considero um felizardo de cinco estrelas por estar pela quinta vez nessa casa.

Passagens recentes

- Nunca fui de pensar no passado, gosto de pensar no futuro. Saí do Cruzeiro, fui para o Bahia com um pedido da torcida, direção, fomos lá e tudo deu certo. O Bahia voltou a uma competição internacional depois de 20 anos. Um clube que recebe bem, torcida recebe bem. Agora estou aqui deste lado, vamos ver se a coisa vai dar certo. A coisa vai dar certo.

Loco Abreu

- Marido e mulher discutem, pai e filho discutem. Não vamos concordar em tudo. Não tenho atrito com ninguém, sempre procurei me dar bem com todo mundo, respeitar todo mundo. Acima de nós, temos uma torcida, nosso maior patrimônio, e temos uma bandeira. No Botafogo acharam que teve polêmica, mas não teve polêmica. No último jogo contra o Botafogo, o jogador (Loco Abreu) me cumprimentou, disse que estava com saudade e deu tudo certo.

Crise

- Como vou analisar uma situação de um clube desse porte onde estou vendo só pelo noticiário? Agora vamos caminhar juntos para desenvolver o trabalho. Não é normal o terceiro lugar no Carioca. E vai começar a Libertadores, que é cruel, covarde, danada. São várias situações diferentes.

Reforços

- Deixa eu começar a trabalhar. De repente, daqui a uma semana, dez dias, tenho mais uma resposta. É um bom grupo, talvez precise de uma ou duas peças. Mas é um grupo bom. Tenho que ver os garotos da base. Vamos procurar conviver juntos. Talvez saiba até melhor do que eu. Não posso chegar aqui dizendo quem eu quero contratar. Não vou desprestigiar quem está aqui.

Rivais na Libertadores

- Qualquer adversário é difícil, na Libertadores você não escolhe adversário. Libertadores cada jogo é uma decisão, tem que ultrapassar. Jogo meio de semana, sai de um clássico. Falaram aqui de uma coisa de duzentos anos, que fomos campeões no domingo, teve uma festa na segunda e fomos eliminados na quarta. O que fica é o resultado.

Posicionamento de R10

- Preferência é onde ele gostar mais de jogar. Se é centroavante, pelo lado do campo... Quanto mais ele desenvolver o talento dele, melhor para nós. Se você tem uma peça de valor, sempre vai estar à primeira vista para você. O craque é o craque. Se ele gostar mais do lado direito que do esquerdo, não tem problema. Vamos armar em cima dele.

Clima com atletas

- Normal e natural (clima). Alguns garotos me conheciam. Falei que o Camacho estava mais magro. Estava comendo muito acarajé na Bahia.

Alex Silva

- Não sei o que aconteceu com ele. Se a diretoria disser que não está dentro, não vou entrar em discussão. Tenho que saber o que está acontecendo para tomar decisões.

Estreia de Love

- Tem coisas de bastidores que ainda não deu tempo de tomar conhecimento. A estreia mais rápida vai ser boa para todo mundo. Estamos com problema no ataque, há três jogos sem fazer gol. Precisa de alguém ali, principalmente da qualidade do Vagner Love. Como ele é especialista, vamos esperar mais o quê?

Treinos no Ninho

- Antigamente reclamavam que era longe. Está lindo, jogadores têm condições de trabalhar. Aqui as instalações são excelentes para trabalhar, ter privacidade. Da última vez não tinha quase nada. Agora foi modernizado. Flamengo tem que ter um centro de treinamento com facilidades para todo mundo."

Necessidade de conquistas

- Conquistar sempre é bom, principalmente num clube como esse, com uma torcida como essa. Futebol se ganha dentro de campo, com muito trabalho. Alguma coisa a gente vai ter que fazer. Não pode ser amanhã, não. Tem que ser ontem. As coisas começaram e as cobranças chegam rapidinho.

Rei do Rio

Se sou Rei do Rio eu não sei. Mas sei que tenho oito títulos. Isso não foi conseguido com papo. Foi conseguido com a ajuda de vocês, dos jogadores que jogam, porque eu não jogo. Sou suburbano de Olaria, na Rua Bariri. Tenho minha vida, mas não estou com o burro na sombra. Se conheci o mundo, foi o futebol que me deu. Ou você tem competência ou não tem. Temos que nos ajudar.

Relação com a imprensa

Espero que vocês me respeitem também. Às vezes vou poder dar a notícia, às vezes não vou poder. Vamos ter que ter um pouquinho só de paciência. Não vou tratar vocês com arrogância. Vamos ver como vamos organizar as entrevistas, para vocês chegarem no destino com o noticiário pronto e me ajudando.








Fonte: Globo Esporte 

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