domingo, 5 de fevereiro de 2012

Emergência de hospitais particulares de Maceió registra superlotação

Sindicatos divergem sobre situação em Alagoas; há carência de dois mil leitos


Longas filas, demora no atendimento e a vez que nunca chega. Não, essa não é uma situação registrada em unidades públicas de saúde. Acontece nos corredores da urgência e emergência de hospitais particulares de Maceió. Quem está passando mal, por muitas vezes, precisa suplicar um médico.

A Agência Nacional de Saúde (ANS) recebe mensalmente 4.500 reclamações de todos os estados brasileiros. As reclamações vão desde a recusa de cobertura pelo plano ao reajuste de parcela. 

O presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed/AL), Wellington Galvão, reconhece que há superlotação nas emergências e diz que a falta de leitos no estado é um dos motivos que agrava a situação nos hospitais. O médico conta que há necessidade de dois mil leitos em Alagoas, na redes pública e privada.

Para o Sinmed, os hospitais privados não estão investindo recursos suficientes na estrutura e a demanda cresce a cada dia. "É caro investir em hospital. Há uma deficiência grande e os hospitais estão superlotados", declarou Wellington Galvão, que há tempo se queixa da falta de profissionais na área da saúde em Alagoas.

"Dez anos atrás tínhamos a mesma quantidade de médicos. Esses profissionais estão indo embora", acrescentou. Existem no estado, de todas as especialidades, cerca de 3.500 médicos, segundo dados do Sinmed. A saída de profissionais de Alagoas para outras localidades, de acordo com Galvão, deve-se ao salário "considerado baixo". Isso atrelado a falta de condições de trabalho. 

Emergência

O presidente do Sindicato dos Hospitais Privados de Alagoas, Humberto Gomes de Melo, rebate informação do presidente do Sinmed. De acordo com ele, a situação da emergência nos hospitais "é igual em todos os estados". "Há essa questão de obedecer a prioridade, dependendo de cada patologia, para atender os casos mais graves. Fazer a triagem", lembrou Gomes.

Humberto Gomes ressalta que a grande procura pelos setores que atendem casos de urgência dos hospitais particulares deve-se, principalmente, ao fato de que muitos pacientes deixam de marcar consultas (eletivas) para "arriscar" atendimento junto a outros tantos na emergência das unidades. "Isso está acontecendo no setor público e privado em qualquer parte do mundo. Muitos são casos que poderiam ser resolvidos através de consulta", declarou.

Em algumas unidades privadas de Maceió são colocadas no pacientes espécie de "pulseira" que indica a gravidade do quadro. Medida que ajuda na organização dos atendimentos, na triagem, de acordo com o sindicato dos hospitais. "O horário de pico em relação ao atendimento é sempre entre 8 e 9 horas até 20 e 21 horas. Não vejo que a situação mais complicada seja aqui em relação a outros estados", acrescentou Gomes.

Dados do sindicato dos hospitais privados de Alagoas apontam que dois dos maiores hospitais de Maceió, Unimed e Santa Casa de Maceió chegam atender por mês, juntos, mais de 15 mil pessoas na emergência de suas unidades. 

Falta de médicos

Sobre a falta de médicos, Humberto Gomes concorda com Wellington Galvão. Alguma especialidades estão seriamente comprometidas. A pediatria é uma delas. Devido a baixa remuneração, segundo o representante do sindicato dos hospitais, muita gente está deixando de optar por esse ramo da medicina.

"O problema é que quem faz a pediatria se dedica quase que exclusivamente ao consultório. Com isso. Há inclusive uma preocupação do Ministério da Saúde sobre esse assunto", reforçou o presidente do sindicato dos hospitais privados.






Fonte: Gazeta Web

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