domingo, 29 de julho de 2012

Baixa renda e alta densidade populacional são fatores de risco para tuberculose


Segundo pesquisa, 90% dos casos da doença em Olinda são registrados em áreas de baixa renda e alta densidade populacional


A taxa de incidência da tuberculose em Olinda (PE) é quase duas vezes maior que a nacional. Em média, 300 novos casos são registrados no município a cada ano. Para entender os números na cidade, pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) elaboraram um estudo estatístico.
A conclusão da pesquisa mostra que os focos de contaminação estão em setores de baixa renda e baixa instrução, mas distinguem-se de outros setores censitários com características idênticas pelo elevado número de mulheres chefes de família sem instrução e com renda menor que um salário mínimo. O estudo também apresenta ligação entre a persistência da doença na comunidade e a alta densidade domiciliar.
Para encontrar os percursos da doença, a pesquisa recorreu georreferenciamento dos novos casos anuais de tuberculose em Olinda em relação aos setores censitários da cidade, definidos a cada censo pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essas unidades correspondem a regiões demarcadas que contêm 1.200 habitantes ou 300 domicílios.
No censo de 2000, Olinda foi dividida em 299 setores pelo IBGE. O estudo analisa a correlação no espaço e no tempo dos novos casos de tuberculose entre 1996 e 2000, com base em notificações mensais. Os resultados mostram que 82% dos setores que compõem os focos têm mais de um caso por família, casos de retratamento ou ambos; 90% estão localizados em setores de baixa renda ou baixa instrução; e 90% têm em média dez casos da doença durante os cinco anos consecutivos.
Para a professora do Departamento de Física da UFPE Rita Maria Zorzenon dos Santos, uma das organizadoras dos estudo, esse tipo de informação pode contribuir para melhoria de alocação de verbas, distribuição de medicamentos, recrutamento de recursos humanos e planejamento de programas de vacinação. Além de sua utilidade no caso da tuberculose, que mata uma pessoa a cada 15 segundos no mundo, a metodologia pode ser aplicada para o estudo de outras doenças ou outros processos sociais.
A tuberculose atinge 30% da população mundial e mata três milhões de pessoas todo ano. No Brasil, há entre 35 e 45 milhões de pessoas infectadas (quase 25% da população), com 100 mil novos casos e cinco a seis mil óbitos por ano (dados referentes a 1981 a 2000). De acordo com a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, trata-se de uma doença infectocontagiosa causada por uma bactéria que afeta principalmente os pulmões, mas também pode ocorrer em outros órgãos do corpo, como ossos, rins e meninges.



Fonte: Isaude 

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