quarta-feira, 18 de julho de 2012

Pílula de prevenção a Aids não serve a todos

Truvada é prescrito só para grupos de risco nos EUA. No Brasil, pessoas expostas a vírus já usam remédios



Liberado ontem nos Estados Unidos para o uso como prevenção ao HIV, o medicamento Truvada já deixa alguns médicos em alerta. A notícia, apesar de ser uma grande vitória no caminho rumo à erradicação do vírus da Aids, não deve ser interpretada como uma substituição ao preservativo.
“É muito ruim viver com Aids, por isso, qualquer auxílio no sentido de evitar que o vírus se espalhe é bem-vindo. Porém, nós temos medo de que, ao adotar o Truvada, as pessoas se esqueçam de usar o preservativo, o que não pode acontecer, primeiro porque ele não garante 100% de proteção e também porque não é efetivo contra outras doenças sexualmente transmissíveis”, diz Roseli Tardeli, diretora da Agência de Notícias da Aids.
Para ter uma boa eficácia, que pode chegar até a 95%, o remédio precisa ser tomado diariamente e pode trazer efeitos colaterais agressivos, como náuseas, vômito, perda de função renal e enfraquecimento dos ossos. Ou seja, pessoas que não estão frequentemente expostas ao vírus não devem usar o Truvada, que é indicado exclusivamente para quem tem comportamento de risco, como prostitutas, garotos de programa e casais sorodiscordantes (quando um dos indivíduos é soropositivo e o outro não).
No Brasil/Há quase 10 anos os medicamentos Tenofovir e Lamivudina  já são usados para prevenir o HIV no Brasil, porém, apenas pessoas que estiveram comprovadamente em situações de risco, como no caso de violência sexual, se qualificam para tomá-los. “Essas drogas possuem fórmulas parecidas com a do Truvada, inclusive os efeitos colaterais são semelhantes”, explica o infectologista Valdez Madruga, do Centro de Referência e Treinamento de DST e Aids.
Para ter acesso ao coquetel preventivo aqui no Brasil, o paciente precisa conversar com um médico para avaliar o risco que ele sofre de se infectar. “A indicação dos medicamentos apenas será aconselhável depois de avaliar o caso do paciente”, explica o especialista. “O tempo desde o risco corrido e o grau de exposição serão levados em conta. Esses remédios são usados também no tratamento da Aids e, como profiláticos, são aplicados em casos muito específicos. O uso de drogas preventivas para quem ainda não sofreu exposição não é permitido no Brasil”.



Fonte: Bom dia

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