domingo, 22 de julho de 2012

Universitários brasileiros são considerados analfabetos funcionais

Parte dos universitários são capazes de ler e escrever,
mas não conseguem interpretar e
associar informações
Expansão do Ensino Superior não tem garantido educação de qualidade



Dados do Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), divulgados pelo Instituto Paulo Montenegro (IPM) e pela ONG Ação Educativa, apontam que 38% dos universitários brasileiros são considerados analfabetos funcionais — ou seja, são capazes de ler e escrever, mas não conseguem interpretar e associar informações. Isso comprova que, apesar do aumento da escolarização da população, isso não se refletiu em maior preparo. Em outras palavras, a expansão do Ensino Superior com oferta de programas de incentivo não tem garantido ensino de qualidade.
Paralelamente a essa expansão, houve um boom no ingresso da população em instituições de Ensino Superior, tendo como força motriz a expectativa de melhorar a renda e de se chegar à estabilidade. De fato, pesquisas recentes comprovam que a educação teve papel essencial na queda da desigualdade social e no crescimento da classe média no País. Para estudiosos do tema, o que demarca fundamentalmente a classe social à qual o brasileiro pertence, até mais do que o poder aquisitivo, é a escolaridade. Estudos apontam também que 40% da redução da desigualdade no mercado de trabalho na década passada é resultado do avanço da escolaridade entre os mais pobres. Segundo o economista Marcelo Neri, da Fundação Getulio Vargas (FGV), na mesma década, foi essa parcela da sociedade que, em termos proporcionais, obteve maior aumento na renda, resultando em uma mudança de classe econômica decorrente mais em função da melhoria da escolaridade do que por benefício de programas sociais.
Apesar desse avanço de classe econômica, os programas de incentivo que, através do financiamento público, permitem a ocupação de vagas em instituições privadas não têm garantido uma formação de qualidade, como mostram os dados do Inaf. Esse tipo de ação para expandir o Ensino Superior apenas estimulou a proliferação desordenada de faculdades muito mais compromissadas em seduzir alunos pela possibilidade de ascender socialmente através do diploma superior do que em proporcionar a eles uma boa preparação. Agora é possível perceber o resultado: a intensa mercantilização do Ensino Superior brasileiro e a qualificação majoritariamente insuficiente dos profissionais.



Fonte: NE10

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