sábado, 27 de outubro de 2012

Curto-circuito entre Imperatriz (MA) e Colinas (TO) causou apagão, diz ONS


O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) confirmou ontem (26) que um curto-circuito provocou o apagão da madrugada nos nove estados do Nordeste e em dois do Norte – o segundo de grande proporção a atingir a região do país em pouco mais de um mês.
Em nota divulgada em seu site, a instituição detalhou que o problema ocorreu à 0h14 de ontem (horário de Brasília, de verão), no segundo circuito da linha de transmissão em 500 KV Colinas (TO)-Imperatriz (MA), um ponto de distribuição de energia para vários estados.
A linha faz parte da interligação entre os sistemas Sul/Sudeste/Centro-Oeste e Norte/Nordeste, que é propriedade da empresa transmissora Taesa (uma sociedade de propósito específico cujos acionistas majoritários são a Cemig e um fundo de investimentos).
Segundo o gerente regional da Eletronorte, Carlos Humberto de Souza e Silva, o curto-circuito aconteceu na linha 2, de responsabilidade da empresa Taesa, do grupo Cemig. Outras quatro empresas também gerenciam operações na subestação.
'A subestação é como se fosse um condomínio, cada linha é de responsabilidade de uma empresa. Acreditamos que um cabo condutor de energia que liga a linha de transmissão à chave, teria tido sofrido um curto-circuito, que aconteceu às 00h14', disse o gerente em entrevista coletiva em Palmas (TO).

'Não sabemos como estavam as condições climáticas da área. Então pode ser que um raio tenha atingido a linha e causado o curto. O ONS está investigando a causa', disse Carlos Humberto.
Mais cedo, no programa 'Bom Dia Brasil', da TV Globo, o presidente da ONS, Hermes Chipp, disse que o curto-circuito foi provocado por um incêndio, ocorrido entre as subestações de Colinas (no Tocantins) e Imperatriz (Maranhão).
Foram atingidos os seguintes estados: Maranhão, Bahia, Ceará, Paraíba, Alagoas, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, parte do Pará e Tocantins. Segundo o ONS, houve desligamento total das cargas dos estados do Nordeste. Na região Norte, foi desligada 77% da carga.
No Tocantins, todos os 139 municípios ficaram sem energia. Este foi o primeiro apagão geral no estado. A última cidade a ter o retorno da energia, por volta de 2h, foi Xambioá, no extremo norte do Tocantins.
Maranhão – A Companhia Energética do Maranhão (Cemar) informou que um blecaute com mais de duas horas de duração ocorreu em todo o estado.
Em São Luís, a energia caiu por volta de 23h20 (horário local).
Nas redes sociais, moradores de Imperatriz, a 626 quilômetros da capital, confirmaram o apagão e relataram que a energia começou a ser restabelecida a partir de 0h30 (hora local).
Bahia – A Bahia sofreu um apagão por volta das 23h20 (hora local) desta quinta. De acordo com a Companhia de Eletricidade do Estado (Coelba), o problema atingiu todos os consumidores baianos.
Ceará – No Ceará, a Companhia de Energia Elétrica do Ceará (Coelce), empresa distribuidora de energia no estado, informou que o apagão afetou todo o estado.
Paraíba – Na Paraíba, faltou luz em todas as cidades do estado a partir das 23h30 de quinta, segundo informou a concessionária de energia elétrica do estado, a Energisa. Autoridades orientaram a população a evitar sair de casa.
Outros apagões – O recente apagão foi o segundo de grande proporção a atingir o Nordeste do país em pouco mais de um mês. No dia 22 de setembro, uma pane em um transformador deixou ao menos seis estados nordestinos (Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Sergipe) sem energia por cerca de 25 minutos.
No último dia 3, um incêndio em um equipamento acessório de um dos quatro transformadores da usina hidrelétrica de Itaipu deixou parte das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além dos estados do Acre e Rondônia, sem energia por cerca de meia hora.
Na ocasião, o presidente do ONS qualificou o ocorrido como um 'apaguinho'. 'Apagão é quando desliga todo o estado ou toda região, isso é mais um apaguinho', disse.


Termelétricas – Na quinta-feira (25), o NOS anunciou que irá aumentar, a partir do final de semana, a geração de energia termelétrica a óleo para 3.500 megawatts (MW) a 4.000 MW, para garantir o abastecimento de energia elétrica no país.
Segundo o órgão, as chuvas ainda não foram suficientes para encher os reservatórios das hidrelétricas até o nível desejado.
Atualmente, cerca de 2.100 MW de termelétricas a óleo já estão gerando energia para o sistema elétrico.
O acionamento de geração termelétrica aumenta o custo da energia para os consumidores, já que a energia a óleo é mais cara que a das hidrelétricas diante do custo do combustível. Mas as termelétricas colaboram para garantir a segurança no abastecimento de energia quando os reservatórios das hidrelétricas estão baixos.
No Sudeste/Centro Oeste, os reservatórios estão com 39,33% de armazenamento de água, no Nordeste com 35,7%, no Sul com 37,99% e no Norte com 43,76%, segundo dados atualizados no site do ONS.
(Portais G1, Folha Online, Estadão Online e Redação do JP)
Apagões 'não são normais', afirma ministro interino de Minas e Energia
O ministro interino de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, afirmou, na manhã de ontem (26), que os apagões em série registrados no Brasil 'não são normais' e que isso representou uma 'diminuição' na confiabilidade do sistema elétrico brasileiro. O governo sempre defendeu a robustez do sistema interligado do país.
'Eventos como esse não são normais e a coincidência então é que é mais anormal ainda. É isso que está sendo avaliado. Estamos com uma equipe de técnicos que vão lá [no local do curto-circuito], da ONS, Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica]. Estão se deslocando equipes do CMSE [Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico]', afirmou Zimmermann ao chegar no ministério na manhã de ontem.
É a segunda vez nos últimos 35 dias que ocorre um apagão na Região Nordeste. Em 22 de setembro, segundo o ONS, um problema nas interligações Sudeste/Norte e Sudeste/Nordeste, atingiu o fornecimento de energia elétrica em parte da região Nordeste.
O ministro interino, Márcio Zimmermann, que está no cargo em razão de afastamento para tratamento de saúde do titular Edison Lobão, reuniu-se com o comitê de monitoramento, além de representantes do ONS e Aneel. Eles discutiram medidas a serem adotadas no sistema elétrico.
Zimmermann admitiu que a confiabilidade do sistema elétrico interligado está abalada. 'Nós temos uma sequência de reuniões e diversos procedimentos vêm sendo adotados nas últimas semanas justamente por causa dos eventos que ocorreram em sequência neste mês. O sistema elétrico brasileiro é um dos maiores sistemas de transmissão do mundo. Ele sempre trabalha com um nível de confiabilidade bom. E nós tivemos no último mês, nesses eventos, uma diminuição dessa confiabilidade que ainda não se tem as razões, sempre se inicia com equipamento falhando e a proteção primária não atuando e aí levando para a proteção secundária alternada e provocando eventos de grandes proporções. Isso que está sendo avaliado.'
Zimmermann afirmou que o governo tomará providências e manterá a população informada do que está ocorrendo.
Já o presidente da ONS, Hermes Chipp, disse que a operadora nacional vai buscar minimizar esse tipo de episódio, que, segundo ele, não pode ser totalmente eliminado. 'É o que eu digo sempre, a gente faz todos os esforços para evitar, mas dizer que não vai ter [novo apagão] é impossível, porque equipamento falha. Está acontecendo com intervalo de tempo pequeno, mas fica uma série de intervalo enorme sem acontecer.'
(Redação do JP e portais)
Consumidor tem 90 dias para reclamar de aparelho danificado
O consumidor que teve equipamentos danificados devido ao apagão deve procurar a distribuidora de energia em até 90 dias para pedir o ressarcimento. A determinação está em resolução da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
Se for verificado que o dano teve relação com a interrupção no fornecimento de energia, a distribuidora tem prazo de 45 dias corridos para ressarcir o consumidor.
Dentro desse prazo, a concessionária tem até 10 dias para vistoriar o equipamento; até 15 dias, após a inspeção, para comunicar o resultado do pedido; e mais 20 dias para efetuar o ressarcimento em dinheiro, conserto ou substituição do equipamento.
Para eletrodomésticos usados na conservação de alimentos perecíveis, como geladeira e freezer, a vistoria deve ocorrer em até um dia útil, segundo a Aneel.
As distribuidoras devem atender o consumidor por telefone, internet ou pessoalmente. Se não houver atendimento satisfatório, o consumidor poderá recorrer à ouvidoria da Aneel pelo telefone 167 ou no site Aneel.
O Procon-SP (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor) alerta que as pessoas não devem reparar os equipamentos danificados, pois podem perder o ressarcimento.


Fonte: Folha Online /  Jornal Pequeno


Nenhum comentário:

Postar um comentário